Luzes de emergência se acenderão automaticamente By Luisa Geisler

    Já pode dizer, como fizeram com o Ruffato, que Luisa Geisler fez uma saga do jovem proletariado brasileiro? 296 4,5/5

    logo escrevo (: 296 A narrativa é genial, apesar de bem simples. O detalhe das datas é muito importante, mas você só repara isso depois. O final é impactante, apesar de ser totalmente nas entrelinhas.

    Acompanhei o Henrique, o Gabriel e o Dante. A Manu também, de certa forma.

    Sofri pelo Gabriel, mas mais pelo Henrique. Pela forma como tudo o afeta. Por ele não conseguir se enxergar. Por tudo.

    Sofri por Dante, mas de uma forma mais pessoal.

    O final me deixou muito triste. São cadernos e cadernos e cadernos. Só cadernos.

    Talvez Dante entenda ele agora. Minimamente.

    Eu tô triste, mas é genial. 296 Ike carrega sempre um caderno com ele. Nele escreve uma espécie de diário em forma de cartas para o seu melhor amigo que está em coma. Há uma boa dose de melancolia no processo. Não só pelo coma, mas pela solidão que ele revela. Ike não quer que o amigo precise se atualizar numa tacada só quando acordar, é o que diz pra si. Mas o que ele busca, ou também busca, é certo entendimento sobre a vida e sobre si mesmo. Sobre uma vida que pode tirar alguém da gente assim, de repente, numa manobra boba do acaso.
    O início do livro, um pouco mais lento, firma essa relação de cumplicidade entre os dois. Provoca um aperto no peito constante. Mas a história logo se transforma, ganha um ritmo mais ágil e permite que o leitor dê uma respirada de vez em quando.
    Isso acontece quando Ike começa a narrar sua relação com outros amigos com quem sai para viajar. Mais e mais, as cartas vão se transformando num processo de autoanálise e compreensão do protagonista, tratando sobre drogas, bissexualidade, vínculos de amizade e perspectiva de futuro. Se o amigo em coma acordará, se Ike entregará a ele seus cadernos ou terminará jogando tudo fora, é apenas um detalhe, um suspense extra. A força do livro está no desenrolar, no meio do caminho, porque se pararmos pra pensar, nosso processo de autoconhecimento, assim como o de Ike, nunca chega a um ponto final. 296 A perda, sua rejeição e a tristeza que vem desse processo são apresentados nesse livro com uma força única, com uma sinceridade e profundidade que eu acredito não ter encontrado em nenhum outro livro. Se eu fosse considerar apenas os primeiros capítulos, ou aqueles ao longo do resto do livro nos quais esse sentimento volta à tona (como o dedicado à Manuela), daria cinco estrelas sem a menor dúvida. Mas a autora vai além, talvez para mostrar um progresso do protagonista, ou para tornar o alheamento ainda mais intenso em seus desdobramentos, criando uma espécie de história de amor. Ajuda que esse rumo da história não seja idealizado, mas depois do soco no estômago que fora o início, é um contraste muito grande. O amor parece bobo diante da perda. Isso para não entrarmos na forma (problemática) em que a sexualidade do protagonista é retratada. Ainda assim, algumas passagens e, certamente, alguns sentimentos desse livro vão ficar comigo. 296

    Luzes

    tenho a sensação de que eu vou ficar o resto da minha vida procurando o que é que eu quero fazer e tal e nunca vou saber exatamente. Esse sentimento adolescente meio que permanece. Eu aos dezoito vou achar que aos vinte e dois vou saber, e daí aos vinte e dois vou achar que vou saber aos vinte e cinco, aos vinte e sete, aos trinta, aos trinta e cinco. Quando tu vê, tu não tem mais chances de fazer o que tu quer porque tu passou todo esse tempo procurando o que era isso. 296 O meu sensor de mimimi explodiu, pega a sua intriga e vai pra... (Rala, sua mandada!)

    Motivos para o sensor de mimimi explodir:
    * ninguém curte tanto assim ~~literatura brasileira contemporânea~~ (ainda mais escrita por não barbudos)
    * sou amigo da escritora
    * tô nos agradecimentos

    Motivos para NÃO dar 5 estrelinhas:
    * medo de vocês me julgando (apenas)

    (Resenha, crítica mesmo, cê não vai encontrar aqui. Escreverei oportunamente, provavelmente pro Posfácio. Aqui é lugar de estrelinhas - que são minhas e eu enfio onde quiser - e de review com cabeça quente.)

    Chorei? Não. (Fiquei pertinho algumas vezes... na real, talvez tenha chorado, sei lá.) Mas aqui vale uma das maiores justificativas pra nota que dei pra Quiçá, primeiro romance da escritora: eu li o livro logo depois daquele que talvez seja O MELHOR LIVRO QUE TEREI LIDO NO ANO (Quiçá veio depois de Cloud Atlas; Luzes veio depois de Suíte em quatro movimentos) e simplesmente NÃO EMPALIDECEU.

    Porque ler qualquer coisa depois de um livro arrasador é praticamente pedir pra fingir que não gosta mais de ler, folhear livros aleatoriamente, focar na academia, ficar pensando besteira ou vendo o VMA - enfim, a gente precisa de um tempo, porque as expectativas tão altas demais e tudo vai parecer uma decepção.

    Não foi o caso.

    Tem tanto Ike por aí PRECISANDO ler esse livro que ó.

    Bah, nem sei o que falar mais. Se alguém quiser falar sobre o livro, quiser que eu fale tuquissimamente porque você deveria ler esse livro, só mandar inbox, comentário, tweet, dm, whatever. 296 3.5 ⭐

    às vezes é legal demais ler um livro quase sem querer.

    história simples, mas com uma escrita cativante e original em alguns aspectos. foi meu primeiro contato com o trabalho da Luisa e com certeza não será o único :)
    296 sei lá... eu escrevi... e tals... então... meio que já li............... sei lá.... 296 SEM PALAVRAS,
    apenas sentimentos 296

    Luisa Geisler constrói em Luzes de emergência se acenderão automaticamente uma narrativa sutil, às vezes entremeada com um humor desconcertante, em outras com passagens cativantes. Ao compor esse mosaico, a autora desenvolve um romance surpreendente, emocional, sobre as incertezas do amadurecimento.

    De certa forma, um relacionamento são duas pessoas que se recusam a desistir uma da outra. Duas pessoas igualmente ferradas, claro. É o que escreve Henrique, ou Ike, em cadernos que carrega consigo para todos os lugares. São cadernos em que fala de seu dia a dia, dos amigos, e de sonhos difusos que ele guarda para o futuro.

    Henrique mora nos subúrbios de Porto Alegre com os pais, e é um garoto que se considera, em todos os aspectos, uma pessoa normal. Está na faculdade, trabalha num posto de gasolina em meio período, tem uma namorada. Fala pouco, é introspectivo, mas cultiva amizades sólidas. Tudo muda quando seu melhor amigo, Gabriel, bate a cabeça num acidente banal e, pouco tempo depois, é hospitalizado em coma. Após uma cirurgia de emergência, não há muito que fazer por ele, dizem os médicos. Apenas esperar. E Ike, os pais de Gabriel, o irmão mais velho e os amigos aguardam o menor sinal de melhora.

    É então que, perto do Natal, Ike começa a escrever. São cartas em sequência ao amigo, como uma conversa, onde relata o que se passa na ausência do amigo. Para “quando tu acordar”, diz ele. “Queria saber quando tu ia acordar, como tu tá, o que tem acontecido, se tem algo que dê pra fazer”, escreve Henrique. As cartas são entremeadas por narrativas curtas, que dão a elas uma dimensão adicional: até que ponto Ike sabe realmente o que acontece à sua volta? O que pensam os outros? Luzes de emergência se acenderão automaticamente

    Free download Luzes de emergência se acenderão automaticamente